Imagem de Frederico Cardoso, fundador do Knitted by Macho Men, durante uma entrevista na RTP, com um painel de fundo e uma placa de protesto visível.

O Dia em que Levei o Tricô para a RTP

Entrei na RTP com lã no bolso

Quando fui convidado para participar no programa Sociedade Civil, na RTP2, senti duas coisas ao mesmo tempo: orgulho e responsabilidade.

Orgulho porque o tricô — aquilo que muita gente ainda associa a um cliché antigo — estava a ser discutido num palco nacional.

Responsabilidade porque eu não representava apenas um projecto. Representava uma ideia.

A ideia de que um homem pode tricotar. E ponto.

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O que me trouxe até aqui

Eu não comecei a tricotar para provar nada a ninguém.

Comecei porque precisava de criar.

Porque precisava de abrandar.

Porque precisava de ocupar as mãos enquanto organizava pensamentos.

Com o tempo, percebi que aquilo que para mim era natural, para muita gente era disruptivo. E foi assim que nasceu a Knitted by Macho Men — não como provocação agressiva, mas como sorriso irónico.

“Macho Men” não é sobre masculinidade tóxica.
É sobre liberdade masculina.

A conversa no estúdio

O episódio chamava-se “Regresso do Tricot”. Mas, no fundo, aquilo que senti foi que não era o tricô que estava a regressar.

Era a nossa relação com o tempo.

Falámos de criatividade.
Falámos de tradição.
Falámos de bem-estar.
Falámos de estereótipos.

E houve um momento em que percebi algo muito simples: o que eu faço não é estranho. Só é diferente do que fomos habituados a ver.

Expliquei que tricotar é quase meditativo. Que o som das agulhas tem ritmo. Que existe uma conversa silenciosa entre as mãos e a cabeça.

E talvez seja isso que as pessoas estão a redescobrir.

O que mais me marcou

Depois do programa, recebi mensagens.

Homens a dizer: “Sempre quis aprender, mas tinha vergonha.”

Mulheres a dizer: “Finalmente alguém diz isto em televisão.”

Jovens curiosos. Pais. Avós.

Percebi que o tricô é só a superfície.

O que realmente mexe com as pessoas é a permissão.

Permissão para experimentar.
Permissão para não caber em rótulos.
Permissão para criar sem pedir desculpa.

Porque esta participação é maior do que eu

Estar na RTP não é apenas visibilidade.

É validação cultural.

Quando um programa nacional dedica tempo a falar de artes manuais e criatividade sem género, significa que a conversa está a evoluir.

E eu sinto-me grato por fazer parte dessa mudança.

Não porque quero ser “o homem do tricô”.

Mas porque quero que um dia essa frase deixe de ser relevante.

Perguntas que me fazem muitas vezes

Homens fazem tricô?

Sempre fizeram. Só que nem sempre foram fotografados a fazê-lo.

O tricô é terapia?

Para mim, é equilíbrio. É foco. É pausa consciente.

O que é a Knitted by Macho Men?

É um projecto criativo que usa o tricô como forma de expressão, desconstrução de estereótipos e ligação entre pessoas.

No fim do dia

Saí do estúdio com a mesma coisa com que entrei: vontade de continuar.

Continuar a tricotar.
Continuar a provocar conversa.
Continuar a mostrar que criatividade não tem género.

Se esta entrevista serviu para que um homem se sinta mais confortável a pegar em agulhas, então já valeu a pena.

Podes conferir a entrevista completa AQUI.

Porque o tricô não é sobre lã.

É sobre identidade.

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